Esta parte da minha vida chama-se… tédio

The Pursuit of Happyness
O sonho americano. Que bela história, que contada vezes sem conta ao longo da história do cinema inspirou e motivou gerações ao longo de décadas. A questão, é que qualquer história pode ser contada de diferentes formas e esta já o foi. Bem, mal, assim-assim. E por causa desse simples facto, a cada ano que passa será mais difícil contá-la de modo a mover audiências, a tocar corações. Basicamente, estamos fartinhos de a saber. O que faz com que um filme como The Pursuit of Happyness, que não finge ou pretende ser mais do que mais um relato dessa mesma lengalenga tenha nessa honestidade a sua única qualidade. Trocando por miúdos, digamos que a única coisa que não me faz entrar em greve de fome para me redimir do facto de ter gasto 4 euros e duas horas para ver o filme é o facto de este se assumir como aquilo que é sem pretensiosismos. É, simplesmente, o relato do triunfo do underdog, do desfavorecido esmagado pelas circunstâncias.
Neste caso, o desfavorecido em causa é Chris Gardner (Will Smith), que apesar da sua inteligência e eternas boas intenções, acaba por se ver sem emprego fixo, abandonado pela sua mulher (Thandie Newton) e com um filho em idade pré-escolar para criar. Em vez de procurar um biscate medíocre numa oficina ou num restaurante, Chris decide investir 6 meses do seu tempo num estágio não remunerado que se correr bem lhe poderá providenciar uma lucrativa carreira como corrector da bolsa. Claro que entretanto, tendo como única fonte possível de dinheiro a venda de um par de aparelhos médicos virtualmente inúteis que antes vendia porta-a-porta, Chris acaba por perder a casa e ter que viver a vida de sem abrigo juntamente com o seu filho Christopher (Jaden Smith).
Pronto, tentando não ser demasiado cruel, sob pena do ressurgimento de certas acusações de implacabilidade cinematográfica, dou a esta busca pela felicidade mais um par de méritos. A interpretação de Smith é atípica considerando a sua carreira anterior e merece realmente destaque (a nomeação talvez tenha sido demais, mas não vou por aí), já que fez o seu papel o melhor possível. Para além disso a química entre pai e filho no grande ecrã é realmente notável e ao contrário do que alguns possam dizer, isto não seria necessariamente verdade só pelo facto de Smith e Jaden serem na realidade pai e filho, pois as coisas na tela nem sempre resultam da mesma maneira que na vida real.
Esta química é em última instância o único factor que proporciona os momentos que estariam mais próximos de quase me emocionar. Mas a verdade, é que nem ao quase chegou. Não julgo a história, até porque sendo baseada em factos reais, não há muito que se lhe diga, mas repito mais uma vez que qualquer história pode ser contada de muitas maneiras diferentes, e esta foi, simplesmente, mal contada. Um argumento que nem se aguenta de muletas, diálogos forçados e artificiais e uma narração em voz off do protagonista que ainda deu para rir um bocado. Penso que o termo técnico é xaropada, podendo também ser definido como a historieta que nos esfrega na cara como aquela situação é tão triste e tão trágica e como somos pessoas terrivelmente frias e cruéis se não tivermos uma lagrimazita a querer sair. A dualidade, a natureza cinzenta do homem são conceitos terminantemente rejeitados num filme que vê a preto e branco. Bem que podiam ter posto um “t” em frente do nome de Chris e iam logo directos ao assunto, ficando ainda mais claro a natureza anormalmente pura da personagem. Isto para não falar da natureza simplista e quase injuriosa do retrato dos dois universos de Chris: onde ele está – a margem má da vida, reflexo do melting pot americano – e onde ele quer estar – o mundo dos arranha-céus brilhantes, dos homens ricos (e brancos) sentados atrás dos volantes dos seus carros desportivos a caminho dos seus lugares de camarote para ver a bola.
Simplista, maniqueísta, lamechas e… chato.

Disconcordem: 4/10

Discordâncias:

Scientists will someday discover this screenplay is so benign it could probably be used to battle tumors, just not the Oprah crowd that it’s going to be ragingly sold to.

efilmcritic.com

Few on-screen father-son relationships have felt more authentic than that depicted by Will Smith and his real-life son in The Pursuit of Happyness.

Dallas Morning News

4 comentários »

  1. dreamweaver Said:

    tb estava á espera de melhor!😦

  2. Vi ontem por acaso. Gostei mas falta-lhe qualquer coisa. É emocionante e tal, mas é como dizes… é um conceito ja gasto.

    Nos proximos dias lá no meu espaço colocarei a minha opinião de forma mais detelhada!

    Cumps

  3. Pois, eu confesso que já não esperava muito, mas contava pelo menos com uma história bem contada, mesmo que simples, e que me conseguisse emocionar, pelo menos em certos momentos. Mas no que me diz respeito, este filme falhou redondamente… Nem só de bons filmes é feita a vida, não é?😉

    Cumprimentos aos dois!

  4. Ana Said:

    Escreve melhor…ora…hehe!


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