A Spike Lee Joint

25th Hour
Os bons filmes precisam de amadurecer. Só o tempo determina o seu triunfo ou esquecimento, não só aos olhos do público em geral e de potenciais seguidores de culto como na mente de cada um.
Há filmes que me entusiasmaram bastante quando os vi pela primeira vez, mas que passados dois anos, ao ouvir novamente o título numa qualquer conversa perdida, descubro com leve surpresa que não tenho grande memória do filme, pelo menos emocional. Não sinto o entusiasmo e a leve ansiedade que costumo associar aqueles filmes que realmente me marcaram e percebo que o filme, embora possa ser bom e ter os seus méritos, não resistiu à passagem do tempo.
O contrário também já aconteceu a toda a gente. Há sempre aqueles filmes que de cada vez que os vemos nos parecem melhores.
No fundo, levo sempre um bom par de anos (e de visionamentos) a descobrir realmente quanto gosto de um filme.
Sei que sempre gostei muito d’A Última Hora, mas só ontem descobri que o adorava. É um clássico moderno que terei orgulho de mostrar aos meus filhos daqui a 20 (?) anos. Aliás, até chega a ser uma boa razão para procriar, só para ter a quem obrigar a ver e amar o filme desde cedo.
Fuck you Monologue 25th Hour
A direcção é de Spike Lee e o destaque na interpretação vai para além do sempre brilhante Edward Norton, com um grande papel para Phillip Seymour Hoffman e também Barry Pepper , Rosario Dawson e Anna Paquin.
Entre muitas cenas fortes, encontra-se uma em especial que já se tornou clássica e deverá permanecer nas memórias colectivas da nossa geração por muito tempo: o monólogo de Montgomery Brogan em frente ao espelho. “Fuck you!”
Outros momentos que ficarão na minha memória serão, por exemplo, a cena do beijo ilícito na discoteca e a silenciosa e desesperante cena da realização do último pedido do futuro condenado. “I need you to make me ugly”.
Quem não viu, devia tratar disso, quanto mais não seja para poder discordar. No entanto, é sem dúvida uma obra que deve ser conhecida, pensada e sentida.

3 Comentários »

  1. Knoxville Disse:

    Também o revi ontem pela terceira vez e cada vez que passa admiro-o mais. Brogan está perdido em Nova Iorque tal como Nova Iorque se perdeu nela própria depois da queda das torres gémeas e é a partir do subtil cruzamento entre o homem e a cidade que Spike Lee nos oferece um poema em filme sobre o pós-11 de Setembro, captando nos dois esse misto de raiva e tristeza que é a consciência de uma perda irreparável. Um filme Indestrutível.

    Cumprimentos Bárbara!

  2. Vi ontem pela primeira vez! Não me martirizem mas é verdade.
    Não preciso de dizer mais nada! Vocês disseram tudo. O filme á magnifico. Não vou fazer a critica no meu blog; nada mais tenho a acrescentar!

  3. Bárbara Novo Disse:

    Knox, “couldn’t have said it better” :)
    Simão, é o que eu digo, não há razão para “martírios” porque este filme ainda tem muito tempo pela frente para se disseminar e para se afirmar na mente do público. Passou ao lado de muitos, embora tenha havido algumas (poucas) sugestões relativamente ás nomeações dos Óscares em 2002. É subvalorizado, mas há-de crescer. É passar a palavra :)

    Obrigado pelos comments e pelas as vozes concordantes ;)
    Cumprimentos!


{ Feed RSS para os comentários desta entrada} · { TrackBack URI }

Deixe um comentário