Arquivo paraJaneiro 4, 2007

Tim Burton – Trick or Treat

Isto da morte da Sic Comédia foi coisa triste, sem dúvida. E a verdade é que o hábito mecânico que me faz carregar no 10 do telecomando mal ligo a caixinha mágica ainda está bem vivo. Este movimento segue-se sempre duma pequena desilusão ao aperceber-me que estou a olhar para a Paris Hilton aos guinchinhos em vez de ver Ivette a saltar feliz da vida para os braços de René.
Mas penso que isso de eu dar de caras com o Simple Life sempre que ligo a televisão é azar de certeza, porque a Fox Life até tem muito boas coisas para oferecer. E foi deste facto que fui relembrada ontem, quando às tantas da manhã, enquanto me debatia com os estudos para os exames que se aproximam, resolvi fazer um pouco de zapping para desanuviar. 1-0. Ah, pois… isto já não é a Sic Comédia… Mas… o que é isto?
Tim Burton
E pronto. Foi o fim do estudo, que lá foi relegado para a faixa horária situada entre as 5 e as 7 da manhã. Isto pois o que passava na Fox era um documentário sobre um dos meus realizadores preferidos, o grande Tim Burton. E a história sobre as estórias daquele homem chega para me absorver completamente a atenção e para me fazer querer ver todos aqueles filmes uma e outra vez.
Um imaginário único, de contos de fadas surreais e fantásticos que conjugam a inocência e a pureza com um lado negro e mesmo sinistro. É este o contributo de Burton para o cinema e para os nossos pequenos mundos de fantasia criados como escudos ou pedras de toque imaginárias numa realidade cruel.
As suas obras, parecendo surreais, irrealistas e fantásticas, tocam fundamentalmente as experiências e sentimentos intímos que todos temos ou tivemos, principalmente nos momentos em que nos sentimos sós, incompreendidos ou mal-adaptados.
Burton teve uma adolescência difícil, sentindo-se sempre uma espécie de alienígena fora do seu elemento, um outsider, acabando por usar esses sentimentos de inadequação na sua arte, aceitando apenas projectos que o inspiravam e que considerava serem bons meios para contar as suas próprias histórias e transmitir a sua visão do mundo. Eduardo Mãos de Tesoura, obra fascinante, doce, e triste, foi baseado nos sentimentos de solidão da adolescência do realizador, sendo reputadamente o seu projecto mais pessoal até à data. É também um dos filmes mais marcantes que já vi, o meu favorito pessoal da obra de Tim Burton e um firme residente no meu Top 3.
Redescobri o génio que tanto me inspira, emocionei-me como já não me lembrava, e recordei algumas das histórias que me tem acompanhado e tocado ao longo da minha vida.
Valeu a pena ficar a estudar até as 7 da manhã.

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Falta-vos algum?

  • Pee-Wee’s Big Adventure (1985)
  • Beetle Juice (1988)
  • Batman (1989)
  • Edward Scissorhands (1990)
  • Batman Returns (1992)
  • The Nightmare Before Christmas (produtor)
  • Ed Wood (1994)
  • Mars Attacks (1996)
  • Sleepy Hollow (1999)
  • Planet of the Apes (2001)
  • Big Fish (2003)
  • Charlie and the Chocolate Factory (2005)
  • Corpse Bride (2005)
  • Próximos projectos:

  • Pee-Wee’s Playhouse: The Movie
  • Sweeney Todd